Archive for the ‘cinema’ Category

Jennifer Beals, doméstica

5/06/06

Às vezes, pintam propagandas legais na lama da publicidade brasileira para TV.

O hit da vez é a de uma cera de chão, paródia das danças oitentinhas de Jennifer Beals em Flashdance, via Loducca. Nunca o refrão "She's a maniac / maniac on the floor" foi tão espirituoso.

Dá pra ver no Youtube (claro).

Clarah, o filme

5/06/06

Clarah Averbuck avisa, em novo blogue, que acabaram as filmagens da cinebiografia sobre ela mesma (e seus livros, o que dá na mesma): Uma história real, direção de Murilo Salles e com Leandra Leal como protagonista.

A peça de teatro baseada em Máquina de pinball, seu primeiro livro, foi uma bomba com B maiúsculo. Espero que o filme resulte um tantinho melhor.

É engraçado receber uma notícia dessa poucas semanas antes de Fante, querido de Clarah, chegar aos cinemas na pele do canastrão Colin Farrell.

Mostra Internacional de Cinema na Cultura

1/06/06

Dica boa: a Cultura retomou a parceria com a Mostra e re-estréia no dia 10 a sessão fixa com filmes cabeçudos, apresentados pelo casal Cakoff.

O horário, às 23h dos sábados, é ingrato. Mas a programação inicial é ótima: começa com Pão e tulipas, emenda Depois da vida, Manoel de Oliveira e ainda promete A professora de piano.

Programação que eles divulgaram hoje:

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Emo-Aranha

31/05/06

As filmagens de Spider-Man 3 estão ocupando Manhattan por esses dias. E é claro que os nova-iorquinos desocupados, com seus gadgets infindáveis, estão entupindo a web com fotos dos bastidores (como aqui e aqui).

Tobey Maguire @ Spider-Man III

Com todo o tormento causado pela presença de Venom/uniforme negro (não vou explicar isso, pergunte ao seu amigo nerd ou tente entender aqui) na vida do personagem, Tobey Maguire ganhou olheiras e trocou o topetinho esvoaçante dos dois primeiros filmes por uma franja lambida, escorrendo pela testa.

A piada que corre é que, com tamanho conflito interior, Peter Parker virou emo.

Tudo para agradar as novas gerações.

X-Men vs The Simpsons

30/05/06

Servindo como pré-propaganda de X3 (como se precisasse) e, de quebra, ajudando a vender o recém-lançado box com a sétima temporada de Simpsons (como se precisasse II), a Fox bolou o teaser perfeito na categoria pop-nerd.

A coisa toda foi ao ar nos EUA na semana passada. São três filmecos geniais, botando os mutantes republicanos contra os amarelinhos anarquistas:

. Homer vs Magneto
. Bart vs Wolverine
. Homer vs Tempestade

Aproveita enquanto ainda está no ar.

Suburban teenage angst

29/05/06

Page 2 é um vídeo amador de 10 minutos, em 16 mm, produzido por um colegial em 1969.

Na história, sem som mas com trilha sonora jazzy, a câmera tosca acompanha os questionamentos adolescentes de um rapaz de Long Island, com pais ausentes, que só faz comer as menininhas e fumar maconha ouvindo rock com seus amigos.

Page 2

O autor, Andy Plesser, hoje é RP em Manhattan e disponibilizou o vídeo no Youtube. Segundo o próprio, Page 2 foi filmado enquanto ele estudava na Great Neck North, uma das melhores escolas americanas, e foi distribuído pelos EUA como peça educativa.

Não achei nada a respeito, então estou me fiando no que o cara divulgou. Pode ser tudo mentira. Mas não tira o mérito do vídeo, que é extremamente bem montado.

Assista aqui.

É um homem? É um deus? É um pássaro? É uma bicha?

25/05/06

Nova pérola trash de Ivan Cardoso, agora turbinado com dinheiro da Petrobrás, Um lobisomem na Amazônia já tem site oficial e trailer online.

O filme, que teve passagem discreta na última Mostra, é uma salada. Santo Daime, Dr. Moreau, amazonas… tudo com o padrão classe C descarado nos efeitos especiais. E a profusão de peitos à mostra gerou pedidos de censura no orkut.

"Breve nos cinemas", tá prometido. O que, pros padrões do cinema nacional, deve ser lá pra 2009. Mas pelo menos eles já tem distribuição garantida pela Columbia.

Alegria, alegria

23/05/06

Aí: meu querido Omelete acabou de levar o iBest de melhor site de cinema, prêmio do júri.

Tchubi, tchubi.
Comemorem por aí que eu comemoro por aqui.

Superman returns

22/05/06

Pausa para um momento nerd. Trailer final de Superman returnsonline.

Conclusões:
1. Brandon Routh convence;
2. Os efeitos especiais convencem;
3. E Kevin Spacey convence mais que tudo isso somado.

WTC, o filme

21/05/06

Hollywood já digeriu o trauma do WTC e, quase cinco anos depois, finalmente começa a cuspir de volta na cara da audiência. O primeiro grande blockbuster baseado no ataque às torres gêmeas é de Oliver Stone, diretor oficial dessas chagas americanóides (vide JFK, Nixon, Platoon, Nascido em quatro de julho, blah blah blah).

WTC

World Trade Center (duh!) é baseado na história real de dois policiais que sobreviveram aos escombros da tragédia. O diretor dá uma palhinha de 20 minutos em Cannes (também hoje), e o filme estréia nos EUA e aqui em agosto. Mas já dá pra ver o trailer aqui e perceber que, por enqüanto, ele ainda não teve o culhão (ou o estômago) de botar a cena real dos aviões batendo nos prédios.

Agora, falando a verdade: alguém realmente precisava de um filme melodramático sobre esse assunto, e ainda protagonizado pela cara de banana do Nicolas Cage? Aí a pergunta sem resposta.

Daft Punk em Cannes

21/05/06

Ignorando Coppola e Almodóvar, Iñárritu e Kaurismaki, o grande destaque de Cannes este ano é a presença do duo francês Daft Punk.

Electroma, Daft Punk

Electroma, o primeiro filme dirigido por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, estréia hoje na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao festival oficial. O produto final ainda é cheio de mistérios. A sinopse oficial, distribuída há pouco tempo junto com meia dúzia de fotos, diz que o filme é "uma odisséia visual e musical sobre dois robôs e sua busca para se tornarem humanos". Na prática, é um road movie cibernético em um planeta desolado.

O que se sabe de fato é que Electroma tem 01h15m de narrativa sem diálogos, funcionando só na base da música. E que, ao contrário do que alguns têm falado por aí, Bangalter e Homem-Christo não interpretam os robôs.

É esperar que alguma alma prestativa consiga vazar o filme para a web.

Electroma, Daft Punk

Este blogue, aliás, aposta boa parte das suas fichas em um show da dupla no Brasil, ainda este ano, pelo zum-zum-zum. Tim Festival?

Da Vinci

21/05/06

O melhor comentário até agora sobre O código Da Vinci é de Leon Cakoff.

Aspa: "O filme deve muito a uma produção alemã de Tom Tykwer, Corra, Lola, corra, sensação também mundial em 1998, e que Hollywood sempre desejou refilmar".

No Jornal da Mostra.

Velho mestre

18/05/06

Aproveitando o ensejo de filmes da semana passada, vai aí textico sobre o documentário protagonizado por Gianni Ratto, que morreu em dezembro.

Top da última Mostra, e estréia agora no circuitinho. É de chorar.

Gianni Ratto

A mochila do mascate
(publicado originalmente @ Omelete)

Boa parte da audiência deve lembrar de Gianni Ratto como o velho defunto do elevador em Sábado, filme-sensação de Ugo Giorgetti de 1995. Mas sua marca no mundo das artes brasileiras vai para além dessa aparição relâmpago nos cinemas. Pedra fundamental do teatro nacional, Ratto tem agora sua trajetória registrada no documentário A mochila do mascate, primeiro longa da diretora Gabriela Greeb.

O currículo deste mestre, falecido aos 89 anos no fim de 2005, não é modesto. Nascido na Itália, fez seu nome como cenógrafo e fundador do lendário Picollo Teatro de Milão. Radicado no Brasil em 54 – "fugido da Itália", como ele mesmo diz –, Ratto ajudou a consolidar um teatro que respirava o Brasil moderno. Acumulando o papel de diretor, encabeçou o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e a Cia. Maria Della Costa, e fundou o Teatro dos Sete – seminal grupo teatral dos anos 50/60, que reunia nomes como Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Sérgio Britto e Fernando Torres.

Somado ao trabalho nos palcos, Ratto foi personagem forte na luta pela política cultural do país, além de ter cinco livros publicados, sendo o mais importante deles o Antitratado da cenografia, obra fundamental no estudo da área.

É no resgate dessa "pequena" história que o filme se constrói. Ratto, à época das filmagens com seus movimentos debilitados, é guiado pela filha em uma viagem atrás de suas marcas no Brasil e na Itália, seus dois países.

O registro de Gabriela é primoroso, deixando a memória do italiano fluir solta pela tela. O documentário é uma aula de teatro, principalmente nos momentos em que Ratto disseca seus trabalhos em croquis e divaga sobre essa arte, visita o Alla Scalla em Milão ou reencontra velhos companheiros da área. Sua fase brasileira é garantida com depoimentos de Fernanda Montenegro e Maria Della Costa e num bate-papo com Millôr.

Os momentos que escancaram o baú pessoal de Ratto são os mais emotivos, quando o monstro do teatro sai de cena e dá lugar ao homem de quase noventa anos, que visita o velho colégio italiano e relembra a mãe, morta depois de anos sem ver o filho.

Apesar de ser um nome que tem sua obra restrita ao meio teatral, Ratto é o personagem perfeito para um documentário, e o resultado final de A mochila do mascate é palatável para qualquer tipo de público. Nada mais justo para um homem que foi tão importante para o palco brasileiro e que é classificado por Dario Fo, teatrólogo italiano laureado por um Nobel de literatura, como "um mito".

“O concepcionista é uma fraude que dura 24 horas”

18/05/06

A concepção 

Certa vez, em um bate-papo, ouvi uma frase mais ou menos assim: "Se o filme é sempre elogiado pelos quesitos técnicos, quer dizer que o conteúdo é uma merda. Quando alguém vem e diz 'tal filme tem uma fotografia linda', é batata: fodeu".

A concepção, filme nacional que estreou na semana passada, é exatamente isso. Trabalho de filmagem ótimo, trilha sonora incrível. Edição, montagem, luz, figurino, maquiagem… tudo acima da linha. Ele até teve boas ações de marketing "underground", como palavras de ordem grafitadas em muros pela cidade (ok, isso é batido) e com vídeo do manifesto concepcionista no Youtube – à la Bruxa de Blair, mas que ninguém viu.

Mas aí, quando esbarra no conteúdo, a nhaca aparece. Filme furado, com pretensão lá em cima. Pff. Vai aí abaixo a crítica, em mais toques. Esta intro, na verdade, foi só para poder usar o primeiro parágrafo, que não lembrei de incluir no texto original.

A concepção
(publicado originalmente @ Omelete)

Exercício de suposição abstrata: se A concepção (2006) chegasse à TV aberta, sua sinopse seria algo como “uma galerinha do barulho que vai aprontar altas travessuras nas suas férias de verão, deixando todo mundo de cabelo em pé”.

Esse padrão boboca das chamadas globais serve bem para resumir a profundidade deste filme, primeiro do diretor José Eduardo Belmonte a desembarcar no circuito comercial. Apesar de ganhar pontos pelo ótimo trabalho técnico que chega à tela, A concepção se suicida com seu esforço em chocar a audiência – sexo, drogas, desbunde desenfreado, toda essa patacoada que não impressiona mais ninguém há um bom tempo – enquanto mergulha em um balde de verniz em que se lê “filosofia barata”.

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